A escola: espaço para aprender a conviver e a ser

No relatório dirigido à UNESCO, com reflexões sobre educação, aprendizagem e perspectivas para o Século XXI, a comissão internacional sobre Educação considera que a escola deverá estar apoiada em quatro pilares da educação: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a conviver e aprender a ser. Esse relatório apre-senta uma nova forma de ver a educação, que hoje prioriza o conhecer e o fazer. Ante situações de violência da atualidade, como aquelas em que pessoas são mortas em troca de alguns reais, é importante notar o quanto o aprender a conviver e o aprender a ser tornam-se essenciais – para as gerações que já estão se formando neste século e para as futuras – uma vez que a sociedade moderna valoriza o individualismo. Nesse contexto, é importante lembrar que vivemos em comunidade, que as ações de cada um influem no grupo a que nós pertencemos, que não estamos sós e que, desde que nascemo, necessitamos do outro. Constatamos a influência de uma sociedade individualista quando nossas crianças apresentam dificuldades para compartilhar e entender sentimentos, o que vai se refletir em muitas das atitudes delas. Nos casos de cyberbullying praticados por crianças e adolescentes, as agressões são feitas com naturalidade e até angariam seguidores que, muitas vezes, para também não se tornarem vítimas, aliam-se aos que agridem. Será que não está faltando o colocar-se no lugar do outro para compreender quantos sentimentos destrutivos podem surgir dessas ações? A resposta é clara: quando se é capaz de refletir da perspectiva do outro, abre-se uma janela para a compreensão do diferente. Ver por meio do outro requer aprendizagem que tem condições de ser adquirida, principalmente na escola, como preconiza a UNESCO. Hoje, devido à violência a que estamos expostos, vivemos em condomínios ou reclusos em no.as casa, o que dificulta a exposição das crianças a outras realidades e o relacionamento delas com a diversidade. Por isso, a escola tornou-se o núcleo social das nossas crianças e, inevitavelmente, o local adequado e importante para o aprender a conviver e para o aprender a ser das gerações dos nossos filhos e das que ainda virão no século XXI.